Meu primo e eu olhávamos o mar revolto.
Tínhamos uns treze anos.
Á nossa frente, uma tempestade no fundo da paisagem,
enquanto o sol nos queimava as costas.
Ele quebrou o silêncio com uma pergunta
- Sabe porquê o mar está bravo?
Respondi que não e então ele afirmou
- É que lá atrás (e apontou para a linha do horizonte)
tem um gigante que bate os braços com toda a força
contra as águas do mar.
Nunca mais me livrei dessa verdade.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
- Pluma Azul
Sobre dois montes, os exércitos esperam
Num alinhamento tenso o momento da batalha.
Entre eles, um vale profundo e negro.
Nesse vale, encontrarão a glória e a morte, irmãs gêmeas.
O céu está muito azul e com poucas núvens.
Uma colônia de formigas recolhe
Os restos de comida deixados pelo soldados.
Então, sob o som de tambores, trombetas e urros
Cavalos e cavaleiros avançam pelas verdes encostas
Até serem engolidos pela profunda escuridão.
Lá, ao invés de inimigos, os soldados encontram
Travesseiros muito brancos, limpos e macios
E dormem tranquilamente.
Num alinhamento tenso o momento da batalha.
Entre eles, um vale profundo e negro.
Nesse vale, encontrarão a glória e a morte, irmãs gêmeas.
O céu está muito azul e com poucas núvens.
Uma colônia de formigas recolhe
Os restos de comida deixados pelo soldados.
Então, sob o som de tambores, trombetas e urros
Cavalos e cavaleiros avançam pelas verdes encostas
Até serem engolidos pela profunda escuridão.
Lá, ao invés de inimigos, os soldados encontram
Travesseiros muito brancos, limpos e macios
E dormem tranquilamente.
- Vôo de Ícaro
Para meu filho muito amado
Luiz Guilherme Bastos do Nascimento
Luiz Guilherme Bastos do Nascimento
Vôa Ícaro,
Com seu coração flamejante
E asas que não temem o sol.
As estrelas são grandes,
Vasto é o espaço
Pois seus olhos estão abertos.
Voa o mundo.
Lhe encontro em meu sonho e brincamos
Enquanto me conta como são grandes e claras todas as coisas.
Não nos cansamos.
Deito em seu colo e você me conta sorrindo,
Histórias de grandes corações.
Vai Ícaro, voa mais alto, mais alto e livre
Agora que você não conhece o medo.
Com seu coração flamejante
E asas que não temem o sol.
As estrelas são grandes,
Vasto é o espaço
Pois seus olhos estão abertos.
Voa o mundo.
Lhe encontro em meu sonho e brincamos
Enquanto me conta como são grandes e claras todas as coisas.
Não nos cansamos.
Deito em seu colo e você me conta sorrindo,
Histórias de grandes corações.
Vai Ícaro, voa mais alto, mais alto e livre
Agora que você não conhece o medo.
- Literatura Branca
Conversava com um amigo
Sobre possibilidades de dar novos sentidos
a coisas como palavras, cores e sons.
Ele muito elegantemente me disse
- A isto chamamos Literatura Branca.
E ao violão tocou a nota ré maior.
Este som, ele me disse,
corresponde exatamente ao latido de um cão.
Tentei fazer a nota no meu violão
Mas só encontrei as cordas si e sol.
Sobre possibilidades de dar novos sentidos
a coisas como palavras, cores e sons.
Ele muito elegantemente me disse
- A isto chamamos Literatura Branca.
E ao violão tocou a nota ré maior.
Este som, ele me disse,
corresponde exatamente ao latido de um cão.
Tentei fazer a nota no meu violão
Mas só encontrei as cordas si e sol.
- Tauromaquia
O touro de Goya está solto.
Perigo nas ruas.
Mergulhado na turba que corre em pânico
Sou eu o escolhido por ele.
Minha mão esquerda toca a maciez do focinho molhado
Ele vê a mim.
Me escondo sob uma cama sem colchão.
O touro entra lentamente pelo quarto
E à proporção que anda em minha direção
Se metamorseia.
Agora sem pêlo, se põe de pé e olha.
Nem centauro, nem minotauro
Mas homem-touro
Em essência, em peso, em substância.
Perigo nas ruas.
Mergulhado na turba que corre em pânico
Sou eu o escolhido por ele.
Minha mão esquerda toca a maciez do focinho molhado
Ele vê a mim.
Me escondo sob uma cama sem colchão.
O touro entra lentamente pelo quarto
E à proporção que anda em minha direção
Se metamorseia.
Agora sem pêlo, se põe de pé e olha.
Nem centauro, nem minotauro
Mas homem-touro
Em essência, em peso, em substância.
- Redundâncias
Fechar a tranca
Unir o fecho
Ligar porta ao portal
Vencer a dura chave
Obstruir o umbral.
Unir o fecho
Ligar porta ao portal
Vencer a dura chave
Obstruir o umbral.
- Novo Amor
Assim te vi chegar,
Novo Amor.
Menino alegre,
Com sua melodia
A pôr fogo na gente.
Me aqueceu o estômago
Como uma bebida forte.
E fiquei ali, acordado
Frente às minhas sensações,
A sentir uma leve e deliciosa
Alteração cardíaca
Que me alcançou
A ponta dos dedos.
Novo Amor.
Menino alegre,
Com sua melodia
A pôr fogo na gente.
Me aqueceu o estômago
Como uma bebida forte.
E fiquei ali, acordado
Frente às minhas sensações,
A sentir uma leve e deliciosa
Alteração cardíaca
Que me alcançou
A ponta dos dedos.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
- A flor brota.
A flor brota.
Dela, a fruta brota
e cresce, cresce.
Até que uma mão ansiosa
Lhe antecipa a morte
então descresce, decresce.
Dela, a fruta brota
e cresce, cresce.
Até que uma mão ansiosa
Lhe antecipa a morte
então descresce, decresce.
- Poço
Meus sentidos
bebem cada gota do agora
e já sou poço.
Aqui meu pé finca dedo
Pé-de-cidade.
E beija areia, dedo-de-pedra.
Fica, refica
Acolá, ali, aqui
Um ir e vir de ondas
O bimbalhar de pequenos grãos.
Na minha boca tudo é areia
Calor e risada de guri.
bebem cada gota do agora
e já sou poço.
Aqui meu pé finca dedo
Pé-de-cidade.
E beija areia, dedo-de-pedra.
Fica, refica
Acolá, ali, aqui
Um ir e vir de ondas
O bimbalhar de pequenos grãos.
Na minha boca tudo é areia
Calor e risada de guri.
- Brinquedo
Cata o vento
Pó daqui joga ali
Pó das horas.
Aqui brinca saci
No vento moleque.
Cantar é de vento
Gargalhada, vento forte
Como bruxa ria
Em bafo de saci
Cata o canto
Cada sonho
Bota vida
Sopra onda.
Pó daqui joga ali
Pó das horas.
Aqui brinca saci
No vento moleque.
Cantar é de vento
Gargalhada, vento forte
Como bruxa ria
Em bafo de saci
Cata o canto
Cada sonho
Bota vida
Sopra onda.
- Peso-Boi
Peso-Boi
Lama furada
Barro seco
Pata coagulada
Lombo malhado
Esterco, moscas.
Caminho molhado
Longo mugido
Lamina no ar
Olho parado
No chão, peso-esgotado
Chifres góticos
Cauda em abano
Pêlo de ébano
No barro seco,
Sangue coagulado.
Lama furada
Barro seco
Pata coagulada
Lombo malhado
Esterco, moscas.
Caminho molhado
Longo mugido
Lamina no ar
Olho parado
No chão, peso-esgotado
Chifres góticos
Cauda em abano
Pêlo de ébano
No barro seco,
Sangue coagulado.
- Clarágua
Clarágua
Brancochão
Pesopedra
Palma-de-mão.
Jogapeso
Espalhágua
Correnome
Pedra-pedra
Lento, lento
Rumochão.
Brancochão
Pesopedra
Palma-de-mão.
Jogapeso
Espalhágua
Correnome
Pedra-pedra
Lento, lento
Rumochão.
terça-feira, 7 de julho de 2009
- Crianças Brincam
Crianças brincam de tomar grandes decisões
E sonham seriamente que tudo é real
são tão elevadas e sábias todas elas.
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